Caetano Veloso
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Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Santo Amaro da Purificação, 7 de agosto de 1942) é um compositor e cantor brasileiro.
Biografia
Nascido na Bahia, é o quinto filho de José Teles Veloso (Seu Zezinho), funcionário público dos Correios falecido em 13 de dezembro de 1983 aos 82 anos, e Claudionor Viana Teles Veloso (Dona Canô), nascida em 16 de setembro de 1907. Ele escolheu o nome da irmã, inspirado em uma canção famosa da época (18 de junho de 1946) na voz do cantor Nélson Gonçalves, Maria Bethânia, do compositor Capiba. A irmã tornou-se uma das maiores intérpretes da história da música brasileira e Caetano tornou-se tão reconhecido quanto a irmã, como um dos grandes cantores e compositores, respeitado e ouvido pela mídia e pela crítica especializada, mudando-se posteriormente, mais precisamente em 1960, para Salvador, onde aprendeu a tocar violão. Além disso, apresentou-se em bares e casas noturnas de espetáculos.
Trajetória artística
Iniciou a carreira interpretando canções de bossa nova. Recebendo a influência de João Gilberto, um dos ícones e fundadores do movimento, em seguida ajudou a criar um estilo musical que ficou conhecido como MPB (música popular brasileira), deslocando o melodia pop na direção de um ativismo político e de conscientização social. O nome ficou então associado ao movimento hippie do final dos anos 60 e às canções do movimento da Tropicália.
Tropicália
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A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e a concretismo); mesclou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha também objetivos sociais e políticos, mas principalmente comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso,Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa).
O começo do Tropicalismo
O movimento surge da união de uma série de artistas baianos, no contexto dos Festival de Música Popular Brasileira promovidos pela Record, em São Paulo e Globo, no Rio de Janeiro.
Um momento crucial para a definição da Tropicália foi o Festival de Música Popular Brasileira, no qual Caetano Veloso interpretou Alegria, Alegria e Gilberto Gil, ao lado dos Mutantes, Domingo no Parque. No ano seguinte, o festival foi integralmente considerado tropicalista (Tom Zé aí apresentou a música São São Paulo). No mesmo ano foi lançado o disco Tropicália ou panis et circensis, considerado quase como um manifesto do grupo.
Influências: movimento antropofágico, pop art, concretismo
Grande parte do ideário do movimento possui algum tipo de relação com as propostas que, durante as décadas de 1920 e 30, os artistas ligados ao Movimento antropofágico promoviam (Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, entre outros): são especialmente coincidentes as propostas de digerir a cultura exportada pelas potências culturais (como a Europa e os EUA) e regurgitá-la após a mesma ser mesclada com a cultura popular e a identidade nacionais (que em ambos os momentos não estava definida, sendo que parte das duas propostas era precisamente definir a cultura nacional como algo heterogêneo e repleto de diversidade, cuja identidade é marcada por uma não identidade mas ainda assim bastante rica). A obra PanAmérica , de José Agrippino de Paula, foi a inspiração literária para o tropicalismo.
A grande diferença entre as duas propostas (a antropofágica e a tropicalista) é que a primeira estava interessada na digestão da cultura erudita que estava sendo exportada, enquanto os tropicalistas incorporavam todo tipo de referencial estético, seja erudito ou popular. Acrescente-se a isso uma novidade: a incorporção de uma cultura não necessariamente popular, mas pop). O movimento, neste sentido, foi bastante influenciado pela estética da pop art e reflete no Brasil algumas das discussões de artistas pop (como Andy Warhol).
Ainda que tenha sido bastante influenciado por movimentos artísticos que costumam estar associados à idéia de vanguarda negativa, o Tropicalismo também manifestou-se como um desdobramento do Concretismo da década de 1950 (especialmente da Poesia concreta). A preocupação dos tropicalistas em tratar a poesia das canções como elemento plástico, criando jogos lingüísticos e brincadeiras com as palavras é um reflexo do Concretismo.
Críticas
Durante a década de 1960, delinearam-se na música popular brasileira três grandes tendências:
- a primeira era composta por artistas que herdaram a experiência da Bossa Nova (ou seus próprios representantes), e compunham uma música que estabelecia relações com o samba e o jazz (grupo no qual pode-se inserir a figura de Chico Buarque);
- um segundo grupo reunido sob o título "Canção de Protesto", que em geral estava pouco interessado em discutir a música propriamente dita mas fazer da canção um instrumento de crítica política e social (neste grupo destaca-se a figura de Geraldo Vandré);
- e finalmente havia um terceiro grupo, especialmente dedicado a promover experimentações e inovações estéticas na música formado justamente pelos artistas tropicalistas.
Nomes ligados à Tropicália
Os principais representantes do movimento foram:
- Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee (o trio formava a banda conhecida como Os Mutantes)
- Caetano Veloso
- Capinam
- Chico Buarque
- Gal Costa
- Gilberto Gil
- Guilherme Araújo
- Jorge Ben
- Jorge Mautner
- Júlio Medaglia
- Lanny Gordin
- Maria Bethânia
- Rogério Duprat
- Tom Zé
- Torquato Neto
Referências Bibliográficas
- BRITO, Antonio Carlos. Tropicalismo: sua estética, sua história. Vozes, São Paulo, n.9, 1972.
- DUNN, Christopher. Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a Brazilian Counterculture. Chapel Hill: UNC Press, 2001. ISBN 0807849766
- PAIANO, Enor; Tropicalismo: Bananas ao Vento no Coração do Brasil; São Paulo: Editora Scipione, 1996; ISBN 8526228579
- SANTAELLA, Lucia; Convergências: Poesia Concreta e Tropicalismo; São Paulo: Nobel; ISBN 8521303807
- MACIEL, Luiz Carlos; Geração em Transe: Memórias do Tempo Tropicalismo; São Paulo: Nova Fronteira; ISBN 8520907636
- VELOSO, Caetano; Verdade tropical; São Paulo: Companhia das Letras; ISBN 8571647127
Ver também
Ligações externas
- ((pt)) [1]A revolução conceitual do tropicalismo
- ((pt)) Tropicalia.com.br
- ((pt)) Dossiê Especial 1: Tropicalismo
- ((pt)) Enciclopédia brasileira de Artes
- ((pt)) ArtesBR
- ((en)) A look at the Tropicália
- ((en))((de)) Re-tropicalismo
Trabalhou como crítico cinematográfico (no jornal Diário de notícias), dirigida pelo diretor e conterrâneo Glauber Rocha. Participou na juventude de espetáculos semi-amadores ao lado de Tom Zé, a irmã Maria Bethânia e o parceiro Gilberto Gil, integrando o elenco de Nós por exemplo, Mora na filosofia e Nova bossa velha, velha bossa nova. O primeiro trabalho musical foi uma trilha sonora para a peça teatral Boca de ouro, do escritor Nelson Rodrigues, do qual Bethânia participou, e também escreveu a trilha da peça A exceção e a regra, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Ambos foram dirigidos por Álvaro Guimarães.
Foi lançado no cenário musical nacional pela irmã, a já reconhecida cantora Maria Bethânia, que gravou uma canção da autoria no primeiro disco, Sol negro, um dueto com Gal Costa, as cantoras que mais gravaram músicas da autoria. Em 1965, lançou o primeiro compacto, com as canções Cavaleiro e Samba em Paz pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMGSony BMG). O primeiro LP gravado, em parceria com (atualmente Gal Costa, foi Domingo (1967) -- produzido por Dori Caymmi, foi lançado pela gravadora Philips, que posteriormente transformou-se em Polygram (atualmente Universal Music), que lançaria quase todos os discos. Domingo contou com uma sonoridade totalmente bossa novista, e a ele pertence o primeiro êxito popular da carreira, a canção Coração vagabundo. Mesmo não tendo sido um estrondoso sucesso, garantiu um bom reconhecimento à dupla e foi muito aclamado pelo meio musical da época, como Elis Regina, Wanda Sá, o próprio Dori Caymmi e Edu Lobo, marcando a estréia de ambos nessa gravadora, a convite do então diretor artístico João Araújo.
Nesse mesmo ano, a canção Alegria, Alegria, que fez parte do repertório do primeiro LP solo Caetano Veloso (1968) e também lançada em compacto simples, ao som de guitarras elétricas do grupo argentino Beat Boys, enlouqueceu o terceiro Festival de Música Popular BrasileiraTV Record), juntamente com (Gilberto Gil, que interpretou Domingo no Parque, classificadas respectivamente em quarto e segundo lugar. Era o início do Tropicalismo, movimento este que representou uma grande efervescência na MPB. Este marco foi realizado pelo lançamento do álbum Tropicália ou Panis et Circensis (1968), que contou com as participações de outros nomes consagrados do movimento, como Nara Leão, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Tom Zé, Gil e Gal.
Desde o início da carreira, Veloso sempre demonstrou uma posição política ativa e esquerdista, ganhando por isso a inimizade do Regime Militar instituído no Brasil em 1964 e cujos governos perduraram até 1985. Por esse motivo, as canções foram freqüentemente censuradas neste período, e algumas até banidas. Veloso e o parceiro Gilberto Gil foram presos devido a supostas atividades subversivas e foram forçados ao exílio em Londres pelo governo militar. Ficou associada a este contexto a canção É Proibido Proibir, da autoria, que ocasionou um dos muitos episódios antológicos da eliminatória do III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), no Teatro Paramount (São Paulo, 15 de setembro de 1968), e também foi lançada em compacto simples.
Esta efervescência seria retomada no álbum Tropicália 2 (1993), que comemorou os vinte e cinco anos do movimento e trinta anos de amizade entre Caetano e Gil, e ainda retomando a parceria entre ambos, contendo algumas doses de experimentalismo e ainda uma homenagem a Jimi Hendrix. Antes de partir para o exílio, estes realizaram um espetáculo em Salvador no Teatro Vila Velha, que acabaram originando o álbum Barra 69, precariamente gravado, e gravou o disco Caetano Veloso (1969). Além disso, também trabalhou como produtor musical, com Gal Costa (Cantar, cujo espetáculo originado deste também foi dirigido por ele) e a irmã Maria Bethânia (Drama - Anjo Exterminado, com faixa-título da autoria), caracterizando-se também por numerosas canções gravadas por outros intérpretes. Em 1974 lançou, ao lado de Gil e Gal, o disco Temporada de verão, com destaque para a regravação de Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, e as inéditas De noite na cama (que seria regravada posteriormente por Marisa Monte e Erasmo Carlos, novamente obtendo êxito) e O conteúdo, ambas da autoria.
Doces Bárbaros
Ao lado dos colegas Gilberto Gil e Gal Costa, lançou o disco Doces Bárbaros, do grupo batizado com o mesmo nome e idealizado pela irmã Maria Bethânia, que era um dos vocais da banda. O disco é considerado uma obra-prima; apesar disso, curiosamente na época do lançamento (1976) foi duramente criticado. Ao longo dos anos, o lema Doces Bárbaros foi tema de filme com direção de Jom Tob Azulay, DVD e enredo da escola de samba GRES Estação Primeira de Mangueira em 1994 com a canção Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu (paráfrase do verso de Atrás do trio elétrico, gravada em 1969), puxadores de trio elétrico no carnaval de Salvador, apresentaram-se na praia de Copacabana e numa aprsentação para a Rainha da Inglaterra. O quarteto Doces Bárbaros era uma típica banda hippie dos anos 70.
Anos 80
Nos anos 80, cresceu a popularidade no exterior, principalmente em Israel, Portugal, França e África. Comandou em 1986 ao lado de outro dos grandes cantores de sua geração, o carioca Chico Buarque, com quem gravou um antológico disco ao vivo em 1972, na apresentação do programa Chico e Caetano (TV Globo). O sucesso deste acabou por originar o álbum Melhores momentos de Chico e Caetano, que contou com a participação especial, dentre outros, de Rita Lee, Jorge Benjor, Astor Piazzolla, Elza Soares, Tom Jobim, Luiz Caldas, o grupo Fundo de Quintal e Paulo Ricardo.
Além deste, neste ano lançou dois discos: Totalmente demais, gravado no hotel carioca Copacabana Palace. Este disco, inclusive, foi o primeiro grande sucesso da carreira, que vendeu cerca de 250 mil cópias que trouxe regravações de canções que fizeram sucesso na voz de outros cantores, com destaque para a faixa-título, proibida pelo regime militar havia três anos, e ainda Caetano Veloso, também conhecido como Acústico, pelo selo Nonesuch, que trouxe regravações dos antigos sucessos neste formato. Lançado inicialmente nos EUA, onde foi gravado, foi distribuído no Brasil somente quatro anos depois e obteve boa recepção crítica, originando um espetáculo na casa carioca Canecão.
Em 1981, o disco Outras palavras atinge a marca de cem mil cópias vendidas, tornando-se o maior sucesso da carreira até então e lhe garantiu o primeiro Disco de Ouro. A vendagem deste disco foi impulsionada pelos sucessos Lua e estrela e Rapte-me camaleoa, esta última composta em homenagem à atriz Regina Casé. Neste disco também homenageou a também atriz Vera Zimmerman, com a canção Vera Gata, a língua portuguesa (com a faixa-título), o estado de São Paulo (Nu com a minha música), o poeta Paulo Leminski (Verdura), a cultura do candomblé e umbanda (Sim/não), o grupo Os Trapalhões (Jeito de corpo) e o cantor francês Henri Salvador (Dans mon ile), a quem também homenageria na canção Reconvexo, gravada por Maria Bethânia.
Três anos depois, veio Velô, acompanhado pelos músicos da Banda Nova, com destaque, dentre outras, para Podres poderes, O pulsar, a regravação de Nine out of ten (gravada originalmente no álbum Transa, de 1972), O quereres, uma homenagem ao pai com O homem velho, Comeu, Shy moon e Língua, uma homenagem à língua portuguesa. Estas duas últimas contaram com as participações especiais de Ritchie e Elza Soares, respectivamente.
Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de Mágoa e Seca d´Água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.
Trilhas de filmes
Em 2004, foi considerado um dos mais respeitados e produtivos pop stars latino-americanos no mundo, com mais de cinqüenta álbuns lançados, incluindo canções em trilhas sonoras de filmes longa-metragens como Hable con ella, de Pedro Almodóvar, Frida uma biografia da pintora mexicana, São Bernardo, de Leon Hirszman a partir do romance homônimo de Graciliano Ramos, o documentário Cinema Falado cujo título remete ao primeiro verso de um antigo samba de Noel Rosa, Lisbela e o Prisioneiro de Guel Arraes, Tieta do Agreste de Cacá Diegues baseado no romance homônimo do escritor Jorge Amado, A dama do lotação de Neville de Almeida baseado no romance homônimo de Nelson Rodrigues, O Quatrilho de Fábio Barreto, O coronel e o lobisomem, Orfeu, Ó Paí, ó de Monique Gardenberg, dentre outros.
Em 2002 publicou um livro sobre o movimento da Tropicália, Tropical Truth: A Story of Music and Revolution in Brazil (Tropicália: uma história de música e revolução no Brasil) e em 1997 redigiu o texto de Verdade Tropical, livro este onde relatou as lembranças do Tropicalismo e um relato pessoal sobre a visão de mundo, paralelamente ao lançamento do CD Livro, muito elogiado pela crítica especializada e indicado para o prêmio Grammy Latino em 2000, na categoria World Music (Música do Mundo).
Deste disco, foi originado o espetáculo Prenda minha, que por sua vez originou o também elogiado CD homônimo, lançado em fins de 1998, que trouxe regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas, na ausência total de canções do disco de estúdio. Inclusive este CD foi o primeiro a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas na carreira, vendagem esta alavancada pelo estrondoso sucesso da regravação da canção Sozinho (Peninha), que incluída na trilha sonora da novela Suave Veneno, de Aguinaldo Silva, explodiu nas rádios brasileiras. Exibe alta produtividade também como compositor, com viés predominantemente poético e intelectual.
Destaques discográficos
A primeira produção de um CD totalmente em uma língua estrangeira foi A Foreign Sound -- Um som Estrangeiro (2004), no qual interpretou clássicos da música norte-americana e inglesa. Da vasta discografia, destacou-se também o álbum Estrangeiro, gravado em Nova Iorque, em parceria com Arto Lindsay (1989) e também gravou um LP em espanhol, Fina Estampa (1994), que trouxe clássicos latino-americanos com arranjos em estilo de bossa nova e originou um álbum ao vivo homônimo, com parte daquelas canções entre outras músicas consagradas e pouco conhecidas da MPB e canções em espanhol fora do disco de estúdio, com Cucurrucucú paloma, La barca e Ay amor.
Outro trabalho que obteve relevante sucesso foi Omaggio a Federico e Giulietta (1999), com parte das músicas em italiano, que consistiu em uma homenagem ao cineasta italiano Federico Fellini e a esposa, a atriz cinematográfica Giulietta Masina, a quem também homenagearia na canção homônima, que fez parte do repertório do disco Caetano (1987), que vendeu cem mil cópias. Inclusive esta canção foi proibida na época do lançamento.
A maior parte das canções do álbum Caetano Veloso, gravado em Londres, foram cantadas em inglês e Transa mesclou português e inglês nas canções, ambos de 1971. Este último iniciou uma trilogia marcada pelo experimentalismo. O segundo trabalho nesse caminho foi o polêmico Araçá Azul (1972), que surpreendeu pelo perfil anticomercial, tendo por isso grande número de devoluções, foi retirado de catálogo e relançado somente em 1987.
A última obra da trilogia foi Jóia (1975), lançado juntamente com Qualquer coisa. A capa original deste primeiro foi censurada por exibir um auto-retrato, a então mulher e o filho nus - num desenho da autoria, cuja capa só seria reconstituída dezesseis anos depois, quando da reedição em CD. A capa de Qualquer coisa foi uma paráfrase à do álbum Let it be, do grupo inglês The Beatles, a quem homenageou justamente nesses dois discos, com as canções Let it be, Eleanor Rigby e For no one (Qualquer coisa) e Help (Jóia).
Dois anos depois veio Bicho, que simulou uma incursão pela discoteca, gênero muito em voga na época, com destaque para a canção Tigresa, em homenagem a atriz Sônia Braga (para quem também escreveu Trem das cores, do disco Cores e nomes, lançado em 1982). Em 1978 lançou o criticado Muito, que iniciou a parceria com o grupo A Outra Banda da Terra (terminada em Uns, lançado em 1983 que contou com a participação especial de Marina Lima, Antônio Cícero, a bateria da escola de samba GRES União da Ilha do Governador e a irmã Maria Bethânia na canção É hoje) e foi um fracasso comercial - vendeu cerca de trinta mil cópias, com destaque para as canções Terra, uma homenagem ao planeta, e Sampa, escrita em homenagem a cidade de São Paulo, além de uma homenagem a Pelé (Love love love) e Eu sei que vou te amar.
Neste mesmo ano, lançou Maria Bethânia e Caetano Veloso - ao vivo, que inicialmente seria concebido apenas na cidade natal para levantar fundos para a catedral local, mas acabou sendo levado a várias cidades brasileiras. No ano seguinte, lançou o elogiado Cinema Transcendental, cujo título era extraído da canção Trilhos urbanos, no repertório. Atingindo a vendagem de cerca de cem mil cópias, trouxe canções antológicas da autoria, como Menino do rio (sucesso na voz de Baby Consuelo, atual Baby do Brasil), Lua de São Jorge, Beleza pura (que se tornou o grande hitLP), e Cajuína, e uma exaltação à religiosidade com Oração ao tempo. do
Merecem destaque também os álbuns Circuladô (1991), cuja faixa-título é inspirada num poema de Haroldo de Campos, colaborador de longa data, que originou um álbum duplo ao vivo e ainda Noites do norte (2000), que trata culturas negras e africanas, e cuja-faixa título foi extraída de um trecho de livro de Joaquim Nabuco, também originou um álbum duplo ao vivo, contendo a íntegra do espetáculo. Gravou um disco com Jorge Mautner em 2002, Eu não peço desculpa, e o trabalho mais recente foi o criticado Cê (2006), onde retomou o repertório pop contido em outros discos, como Transa e Velô.
Em 2003, lançou o primeiro DVD-áudio, Muito mais, que foi bônus da caixa Todo Caetano, lançada no ano anterior em comemoração aos trinta e cinco anos de carreira (foi lançada originalmente em 1996, com trinta álbuns), e cujo repertório apresenta canções consagradas do artista escolhidas pelos fãs através da Internet, rede mundial de computadores. Em 2007, a Universal Music lançou Quarenta Anos Caetanos, caixa dividida em quatro partes, contendo toda a discografia oficial, em comemoração aos quarenta anos de parceria entre Caetano e a gravadora.
Casamentos
Caetano casou-se duas vezes: a primeira em 21 de novembro de 1967 com Andréa Gadelha, a Dedé, com quem teve o primeiro filho, também músico, Moreno, em 22 de novembro de 1972. Dedé é irmã de Sandra Gadelha, ex-mulher de Gilberto Gil. Caetano e Dedé separaram-se em 1983. Em 1986 Caetano casou-se com a atriz e produtora cultural Paula Lavigne, com quem teve dois filhos, Zeca (nascido em 7 de março de 1992) e Tom (nascido em 25 de janeiro de 1997), e de quem separou-se em 2004.
Discografia
- Domingo (1967) - com Gal Costa
- Caetano Veloso (1968)
- Caetano Veloso (1969)
- Barra 69 - Caetano e Gil ao Vivo (1969) - com Gilberto Gil
- Caetano Veloso (1971) - inglês
- Transa (1972) - inglês
- Caetano e Chico Juntos ao Vivo (1972) - com Chico Buarque
- Araçá Azul (1972)
- Temporada de Verão ao Vivo na Bahia (1974)
- Jóia (1975)
- Qualquer Coisa (1975)
- Doces Bárbaros (1976) - ao vivo - com Gil, Bethânia e Gal
- Bicho 1977 (1977)
- Muitos Carnavais (1977)
- Muito - Dentro da Estrela Azulada (1978)
- Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo (1978) - com Maria Bethânia
- Cinema Transcendental (1979)
- Outras Palavras (1981)
- Brasil (1981)
- Cores, Nomes (1982)
- Uns (1983)
- Velô (1984)
- Totalmente Demais (1986) - ao vivo
- Caetano Veloso (1986)
- Caetano Veloso (1987)
- Estrangeiro (1989)
- Sem Lenço, Sem Documento (1990)
- Circuladô (1991)
- Circuladô ao Vivo (1992)
- Tropicália 2 (1993)
- Fina Estampa (1994) - espanhol
- Fina Estampa ao Vivo (1994)
- Tieta do Agreste (1996)
- Livro (1997)
- Prenda Minha (1999) - ao vivo
- Omaggio a Federico e Giulieta ao Vivo (1999)
- Noites do Norte (2000)
- Noites do Norte ao Vivo (2001)
- Eu Não Peço Desculpa (2002)
- Todo Caetano (caixa com 40 CDs) (2002)
- A Foreign Sound (2004) - inglês
- Ongotô (2005)
- Cê (2006)
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