quinta-feira, 28 de junho de 2007

Ela é Marisa Monte



BOX SET 3 DVDS [MM /
MAIS / BARULHINHO BOM]
DISCO 1
1 NÃO QUERO DINHEIRO (SÓ QUERO AMAR)
2 VOCÊ NÃO SERVE PRA MIM
3 LENDA DAS SEREIAS, RAINHA DO MAR
4 EU NÃO SOU DA SUA RUA
5 MADRUGADA E AMOR
6 VOCÊ NÃO ENTENDE NADA
7 DE NOITE NA CAMA
8 VOLTE PARA O SEU LAR
9 ROSA
10 NERVOS DE AÇO
11 I CAN SEE CLEARLY NOW
12 DIARIAMENTE
13 QUALQUER COISA
14 DIG A PONY
15 LUA, LUA, LUA, LUA
16 EU SEI
17 QUE PENA (ELA JÁ NÃO GOSTA MAIS DE MIM)
18 UMBABARAUMA (PONTA DE LANÇA AFRICANO)
19 COMIDA
20 PANIS ET CIRCENSES
21 ALWAYS ON THE RUN
22 DIARIAMENTE
23 BEIJA EU
DISCO 2
1 TEMPOS MODERNOS
2 MARAÇA (Citação Musical-Fundo)
3 BALANÇA PEMA
4 CHUVA NO BREJO
5 SALA DE RECEPÇÃO
6 O SAMBA DOS NOVOS BAIANOS
7 A MENINA DANÇA
8 MARAÇA (Citação Musical-Fundo)
9 BLANCO
10 MARIA DE VERDADE
11 MAGAMALABARES
12 VIDE GAL
13 ENSABOA
14 QUANTAS LAGRIMAS
15 PARA VER AS MENINAS
16 MISTÉRIO DO PLANETA
17 MARAÇA
18 SEO ZE
19 ALTA NOITE
20 BATON NO DENTE
21 BESTA É TU
22 EU SOU O CASO DELES
23 MARINHEIRO SÓ
24 PANIS ET CIRCENSES
25 MAIS UMA VEZ
26 CÉREBRO ELETRÔNICO
27 MARAÇA (Citação Musical-Fundo)
28 SEGUE O SECO
29 BESTA É TU
30 NAO QUERO VOCE ASSIM
31 MAIS UMA VEZ
32 DEPOIMENTO MARISA
33 SEGUE O SECO
DISCO 3
1 COMIDA
2 SOUTH AMERICAN WAY
3 ANDO MEIO DESLIGADO
4 BEM QUE SE QUIS (E Po' Che Fa')
5 NEGRO GATO
6 SONHOS
7 CHOCOLATE
8 SPEAK LOW
9 I HEARD IT THROUGH THE GRAPEVINE
10 THESE ARE THE SONGS
11 SAMBA E AMOR
12 BESS, YOU IS MY WOMAN NOW
13 COMIDA
14 CHUVA DE VERÃO


Universo ao meu redor


Infinito Particular

*Role o mouse sobre o índice e acompanhe as faixas desse Box.


Comecei nos palcos.

Toda a minha trajetória se fez através do contato direto com o público, nas apresentações ao vivo.

Em quinze anos de carreira gravei muito pouco, por causa das longas turnês que sempre acabavam gerando um espaço muito grande entre os discos.

Cinco discos em quinze anos, sem contar os que produzi e o dos Tribalistas.

Em 2001 terminei a turnê de Memórias Crônicas, depois de quase dois anos de estrada, decidida a ficar em casa por um tempo.

Aproveitei para produzir o disco do Argemiro e logo a seguir mergulhei no projeto dos Tribalistas com Carlinhos e Arnaldo.

Um projeto só de estúdio.

Adoro e sempre adorei estúdio.

Gravamos todo o disco no Rio, em treze dias.

Uma música por dia.

Engravidei durante as gravações.

O disco saiu no mês do nascimento do meu primeiro filho.

Durante os meses que se seguiram tive a chance de ficar mais tempo em casa.

Aproveitei a oportunidade para fazer várias coisas que seriam impossíveis viajando e, sem saber, algumas delas acabaram se tornando o embrião desses discos de agora.

Eu sabia, através do meu contato com o samba carioca e, principalmente, pelo convívio com a Velha Guarda da Portela e pelo trabalho de pesquisa para o disco deles em 99, que havia um repertório incrível, presente apenas na tradição oral, que estava se perdendo pouco a pouco. A curiosidade me fez querer saber mais sobre isso, ampliando o conhecimento para além dos limites da Portela. Comecei a fazer uma série de encontros e entrevistas, orientada por conversas com Monarco, Paulinho da Viola, D. Yvonne Lara e meu pai, entre outros.

Ouvi compositores, parentes e parceiros de sambistas antigos em busca não somente da obra deles, como também das referências criativas; da gênese do samba feito por eles.

E os sambas de Jaime Silva, Argemiro, Dona Yvonne, Casemiro, Moraes e Galvão, alguns com mais de cinquenta anos, uniram-se à produção contemporânea da Adriana, do Paulinho, do Arnaldo, do Carlinhos e minha, no repertório de “O Universo ao Meu Redor”, esse meu disco focado mais do que no samba, eu diria, na atmosfera do samba, com seus assuntos mais freqüentes — o amor, a natureza, a própria música, a condição humana, o canto dos passarinhos, o quintal, o convívio através da arte…

Para produzir comigo, convidei o Mario Caldato, com quem sempre tive vontade de trabalhar e que ficou responsável por pilotar a personalidade sonora do disco.

Ao mesmo tempo em que eu mantinha a freqüência desses encontros em torno do samba, comecei a digitalizar todo o meu acervo de fitas cassete.

O intuito do trabalho era salvar os registros do processo de composição.

Quinze anos de músicas sendo feitas.

Algumas terminadas, outras abandonadas.

Várias dessas que todo mundo conhece, na nascente.

Cadernos de rascunhos sonoros.

Quase cem fitas, todas ouvidas, decupadas, mapeadas por mim.

Infinito particular.http://www.marisa_monte.blogger.com.br/marisa59..jpg

Essa audição me fez mergulhar em composições de várias épocas, não só com parceiros antigos (Nando, Carlinhos, Arnaldo, Pedro Baby, Dadi), mas também ampliando os horizontes na direção de novos — Seu Jorge, Adriana, Yuka, Leonardo Reis e Rodrigo Campelo.

Muitos encontros e, algum tempo depois, eu tinha material para mais um disco.

Dessa vez, só de músicas minhas com parceiros e o replay de Alê Siqueira, com quem já havia trabalhado em Tribalistas, para produzir comigo. Além dos arranjos de Eumir, Philip e Donato.

É isso…

Se eu tivesse gravado agora apenas um disco e fosse para a estrada, ia demorar um tempão até que eu tivesse a chance de gravar de novo e sei que haveria um hiato entre o que faço e o que mostro.

Por isso concebi esses dois discos de repertório inédito.

Gerados ao mesmo tempo, como gêmeos bivitelinos, vêm ao mundo agora no mesmo dia.

Mas são muito diferentes.

Cada um com a sua história.

Cada um falando por si.

Como duas fotos.

Com muitas pessoas e comigo no bolo.

Agradeço a todos.

Marisa

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