
Ney Matogrosso, nome artístico de Ney de Sousa Pereira (Bela Vista, 1º de agosto de 1941) é um cantor brasileiro.
O nome Ney Matogrosso é adotado pelo cantor somente em 1971, ao ir para São Paulo. Desde cedo demonstrou vocação artística: cantava, pintava, interpretava. Teve a infância e a adolescência marcadas pela solidão, até completar dezessete anos, quando deixou a casa da família para entrar na Aeronáutica, Ney ainda não fazia idéia do que faria de sua vida. Gostava de teatro e cantava esporadicamente, mas acabou indo trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília, a convite do primo.
Tempos depois foi convidado para participar de um festival universitário e chegou a formar um quarteto vocal, sob protestos da professora de canto e apesar do regente do coral do qual fazia parte elogiar sua voz especial, depois do festival, fez de tudo um pouco, até atuou em um programa de televisão. Também concentrou suas atenções no teatro, decidido a ser ator. Atrás deste sonho, ele desembarcou no Rio de Janeiro em 1966, onde passou a viver da confecção e venda de peças de artesanato em couro. Ney adotou completamente a filosofia de vida hippie.
Neste período, viveu entre o Rio, São Paulo e Brasília, até conhecer João Ricardo; João procurava um cantor de voz aguda para um conjunto musical e convidou Ney para ser o cantor do grupo Secos e Molhados.
Entrevista à Danilo Casaleti da revista Época
ÉPOCA - Em uma entrevista recente, Chico Buarque disse que a canção é um fenômeno do século XX e pode estar desaparecendo. Você concorda?
Ney Matogrosso - Acho que não é por aí. Não vejo crise de criação. Há crise no atravessador, a mídia, que está viciada em fórmulas, repetidas à exaustão. A gente percebe isso nessa música da Bahia. Tem a Daniela Mercury e a Ivete Sangalo, tem as cópias delas, as cópias das cópias... A gente nem sabe mais quem é quem, todo mundo canta igual. Mas existem bons artistas novos, sim. Só que o Chico é especialérrimo. Não nasce gente igual a ele todos os dias. Não dá para querer que todo ano surja uma leva de Chicos, Caetanos e Miltons. Esse pessoal surgiu num momento de ditadura, quando a repressão era um estímulo para a música, para a transgressão inteligente.
ÉPOCA - O Secos & Molhados seria transgressor hoje?
Ney - Provavelmente não. O Secos & Molhados tinha uma carga de sexo que era uma bomba. Hoje o sexo está banalizado, é esfregado na cara da gente como se fosse propaganda de pasta de dentes. Quando comecei, fui muito influenciado pelo tropicalismo. A primeira vez que vi Caetano eu era funcionário público em Brasília, no fim dos anos 60. Ele apareceu vestido de cor-de-rosa, dos pés à cabeça. Naquele tempo, homem não usava nem meia cor-de-rosa. Imagina o choque: ditadura, você encontra Caetano Veloso, todo de rosa, em Brasília! Pensei: 'Se um dia eu for artista, quero causar nas pessoas o que ele causa em mim'. Aí surgiram aqueles malucos (Secos & Molhados). Em pleno governo Médici (1969-1974), eu dançava quase nu. Chupava uma rosa e jogava para a platéia, sentava em cima de chifre. A ditadura me agredia, e eu agredia de volta.
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Saiu dos Secos e Molhados no ano seguinte, após o grande estrondo que a banda causou no país inteiro. Em 1975 lançou seu primeiro disco solo, chamado "Água do Céu-Pássaro". O disco vinha numa capa de papelão cru, com Ney Matogrosso pintado, vestido com pêlos de macaco, chifres, pulseiras de dentes de boi. Foi considerado extravagante demais e passou despercebido pelo público. Em 1976, veio o reconhecimento com o disco "Bandido". A música "Bandido Corazón", composta por Rita Lee tornou-se um grande sucesso na voz de Ney. Ainda nessa época, Ney escandalizava o Brasil. Ney terminou a década de 70 e começou a de 80 totalmente transgressor, sendo ameaçado várias vezes pelo regime militar. Nesse período, Ney lançou alguns de seus maiores sucessos: "Homem com H", "Calúnias", "Bandoleiro", "Espinha de bacalhau" (com Gal Costa), "Retrato Marron", "Seu tipo", "Por debaixo dos panos", entre outros.
É em 1987 que Ney Matogrosso entra em uma nova fase: com o LP "Pescador de Pérolas", ele mostra uma faceta mais segura. Abandona as maquiagens, veste um terno e atrai um novo público para si. A partir daí, Ney consagrou-se como um dos melhores intérpretes da MPB e também o mais versátil. Durante a década de 90 tocou com Raphael Rabello, gravou um CD com canções de Ângela Maria, gravou um CD só com canções de Chico Buarque (o elogiadíssimo CD "Um Brasileiro), gravou Cartola, e fez uma coletânea de sambas dos anos vinte e trinta.
Em 2004 voltou aos meios de comunicação com o projeto "Vagabundo", em que canta com o grupo carioca "Pedro Luís e a Parede"
A grande marca de Ney é seu vocal agudo e suas interpretações marcantes, além do forte apelo à sensualidade em cena.
Ney mantem , no estado do Rio de Janeiro, uma área de preservação ambiental para os micos-leões-dourados, espécie ameaçada de extinção.
Discografia Ney Matogrosso
Por: Danilo Casaletti
O cantor Ney Matrogosso começou sua carreira cantando no grupo Secos& Molhados, no ano de 1973. O grupo lançou apenas dois discos e estouraram nas paradas musicais com as músicas O Vira, Flores Astrais, Sangue Latino e Assim Assado. Em 1975, Ney se lança em carreira-solo com o disco Água do Céu-Pássaro. Hoje o cantor contabiliza 30 álbuns lançados e 5 DVDs.
Durante toda sua carreira, Ney sempre primou pela escolha de seu repertório. Emprestou sua voz para clássicos de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Heitor Villa-Lobos e gravou discos dedicados à Angela Maria e Carmem Miranda. O cantor também interpretou seus contemporâneos Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Angela Roro e muitos outros.
Outra característica na obra do cantor, é o fato de sempre dar espaço aos novos compositores. Nessa lista estão nomes como Luli e Lucina, Itamar Assumpção, João Ricardo e Fausto Nilo.
Confira a discografia completa de Ney Matogrosso:
 | Secos e Molhados (1973) Ney escandaliza e consquista o público com sua voz aguda e seu jeito transgressor |
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 | Água de Céu- Pássaro (1975) ÁlPrimeiro disco solo de Ney. Destaque para América do Sul e Coubanakan |
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 | Pecado (1976) Ney grava Cante uma canção de amor - de Odair José e o clássicoDesafinado |
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 | Seu Tipo (1979) A faixa-título faz muito sucesso. O disco ainda tem Rosa de Hiroshima |
Ney Matogrosso(1981) Ney lança Homem com H, um deboche que cai no gosto do público |  |
 | Sujeito Estranho O álbum traz duas canções de Rita Lee: Ando Meio Desligado e Doce Vampiro (1981) |
Matogrosso (1982) Neste disco Ney lança Por Debaixo dos Panos, que vira um hino da corrupção |  |
 | ...Pois é (1982) Primeira gravação de Ney para Babalú. Traz também Calúnias (Telma Eu Não Sou Gay) |
Destino Aventureiro (1984) A canção Vereda Tropical vira abertura de novela na TV |  |
 | Bugre (1986) Rita Lee e Arnaldo Baptista dão um novo sucesso para Ney: Balada do Louco |
Pescador de Pérolas (1986) Ney grava clássicos de Ary Barroso, Dorival Caymmi,Cartola e Herivelton Martins |  |
 | Floresta do Amazonas (1987) Ney se junta com João Carlos Assis Brasil e Wagner Tiso para cantar Villa - Lobos |
Quem não vive tem medo da morte disco traz Todo Sentimento, de Chico Buarque, e Dama do Cassino, de Caetano Veloso (1988) |  |
 | Ney Matogrosso ao Vivo (1989) Traz Anda Com Fé, Comida, América do Sul, Metamorfose Ambulante e Morena de Angola |
À Flor da Pele A voz do cantor acompanhada pelos acordes de Raphael Rabelo: só clássicos da nossa música (1994) |  |
 | As Aparências Enganam (1993) Acompanhamento do grupo Aquarela Carioca. Sangue Latino se destaca |
Estava Escrito (1994) Disco dedicado às canções gravadas por Angela Maria.Ela participa em Só Vives pra Lua |  |
 | Um Brasileiro (1996) O homenageado agora é Chico Buarque, que faz dueto com Ney em Até o Fim |
Vinte e Cinco (1997) Àlbum duplo com os maiores sucessos da carreira do cantor. |  |
 | O Cair da Tarde (1997) Dedicado às obras dos compositores Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos |
Olhos de Farol (1999) Novos compositores:Pedro Luís, Lenine, Paulinho Moska e Samuel Rosa |  |
 | Vivo (1999) Disco gravado ao vivo que mistura canções novas e antigas |
Batuque (2001) Disco dedicado ao repertório de Carmem Miranda. Tem Broto de Bambu e Adeus batucada |  |
 | Ney Matogrosso interpreta Cartola (2002) Só clássicos do compositor carioca. Tive Sim, O Sol Nascerá, Cordas de Aço... |
Ney Matogrosso Intérpreta Cartola: ao Vivo (2003) Sucesso nos palcos: Basta de Clamares Inocência não saiu no disco de estúdio
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 | Vagabundo (2004) Parceria de Ney com Pedro Lúis e o grupo A Parede. Com canções inéditas e a regravação de Assim Assado
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DVDs:
Principais espetáculos
Entrevista concedida à Danilo Casaletti da revista Época
Site oficial:http://www2.uol.com.br/neymatogrosso/
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