A música é boa e o artista é incrível. No entanto, para que uma coisa esteja em sintonia com a outra durante um show é mais que fundamental que a banda esteja afinada.
Instrumentistas e backing vocals estão geralmente atrás da grande estrela da apresentação, mas carregam a responsabilidade de fazer com que o aplauso ao final seja tão caloroso quanto a energia que emanam do palco.
EGO procurou algumas dessas figuras no eixo Rio-SP, ouviu suas histórias e conta abaixo suas trajetórias e curiosidades.
Pedro Sá tem 35 anos e é um dos guitarristas cariocas mais requisitados. O músico, que atualmente toca com Caetano Veloso, tem a quem puxar. Ele é filho do compositor Ronaldo Tapajós e desde molequinho acompanhava o pai em suas gravações. Além, é claro, de presenciar 'in loco' o processo de criação de Tapajós. “Eu amava esse ambiente de gravação. Adorava ficar observando os equipamentos, guitarras, violões... Além das piadas e histórias”, lembra Pedro.
A influência paterna o tornou um guitarrista diversificado. Em 1994, Pedro Sá lançou um disco pela Warner de sua ex-banda, “Mulheres Q Dizem Sim”. De 1997 a 2000 tocou com Lenine e, além de acompanhar Caetano, também integra a “Orquestra Imperial” e se apresenta com os “+2” (Moreno Veloso, Kassin e Domenico).
Com 18 anos de carreira, ele lembra de uma história inusitada. “Estava com o ‘+2’ em Tóquio num bar. Fui ao banheiro e, quando voltei, não tinha mais ninguém lá. Esqueceram de mim e foram embora. Fiquei sozinho e totalmente perdido! Na rua, por sorte, encontrei a mulher do meu amigo que a levou para a casa dela. No final, fiquei na casa deles aprendendo origami com as crianças até todos chegarem para me buscar...”
Imagine um instrumento de corda: violão, guitarra, cavaquinho, berimbau, violoncelo... Seja qual for o número de cordas, Webster Santos, 36, toca com brilhantismo. E é por conta desse talento que o currículo desse músico está repleto de nomes de peso da MPB.
Webster já se apresentou com Chico Buarque, Lenine, Daniela Mercury, Vânia Abreu, Mônica Salmaso, MPB4, João Bosco
, Sá e Guarabyra, Paula lima, Vanessa da Mata
, entre tantos outros nomes.
“Me dá prazer tocar com essas figuras porque são amigos queridos e me divirto muito durante os shows”, conta ele, que apesar de morar na capital paulista há 12 anos, ainda carrega o sotaque baiano.
Há mais de 20 anos no meio artístico – ele começou a carreira na Bahia aos 18 anos - Webster Santos hoje é referência entre alguns músicos como Zélia Duncan e Luciana Mello, com quem se apresenta pelo Brasil.
“Webster é um músico prendadíssimo e um profissional maravilhoso”, derreteu-se Zélia Duncan durante um de seus shows em São Paulo.
Mesmo no fundo do palco, junto à banda, Webster se destaca por sua simpatia. “Acho que é porque não me imagino fazendo outra coisa. Não é só ir lá e tocar, tem que fazer um bom som do começo ao fim”, define.
Jadna Zimmermann deixou Florianópolis à procura de novos projetos. Formada em música, ela deixou a carreira acadêmica para se aventurar na boemia do eixo Rio-SP. Aos 28 anos - ela está há dois com a banda de Zélia Duncan – a percussionista diz que graças ao seu trabalho com a artista está ganhando fama.
“É muito bom trabalhar com a Zélia, estar na banda dela deu expansão para o meu trabalho como instrumentista”, explica Jadna.
Mas estar no palco não é a única “diversão” de Jadna Zimmerman. Além de tocar com Zélia, ela continua seus estudos e faz projetos paralelos. “Dou aulas de música na escola do Guto Goff (baterista do Barão Vermelho) no Rio e estou trabalhando num projeto com minha amiga Simone Soul (outro nome conhecidono meio)”.
Arthur Maia, carioca de 44 anos, dispensa qualquer comentário. Baixista, compositor e cantor, Maia começou tocando com Ivan Lins, Luiz Melodia e Márcio Montarroyos. Conhecido internacionalmente, ele já participou de shows e discos de Ernie Watts, Sheila E., Carlos Santana, Geroge Benson, Pat Metheny e Plácido Domingo.
Em 1992, recebeu o prêmio Sharp de Instrumentista Revelação. Tem cinco CDs gravados e além de músico, Arthur é empresário e produtor cultural.
Há 14 anos ele toca com Gilberto Gil. Arthur lembra com bom humor como foi sua estréia com o cantor e atual Ministro da Cultura do Brasil. “No meu primeiro show em Mountreaux, na França, depois de tocar com Gil, Paralamas do Sucesso e Hermeto Pascoal, fui a uma festa de salsa. Me enrosquei com uma galega e voltei bêbado para o hotel. Acordei no quarto de um integrante da banda do Gil. Estava tão mal que me deram banho e arrumaram a minha mala para voltar ao Brasil. Foi meu batismo”, recorda.
Tatiana Parra tem apenas 26 anos, mas muita história para contar. Nascida entre músicos, a paulista começou a cantar quando ainda tinha 5 anos de idade. Ela fez campanhas publicitárias, jingles e gravou CDs infantis até que se tornou uma backing vocal conhecida no meio artístico.
Na lista de grandes nomes da MPB, Tatiana já engrossou o coro de Rita Lee, Toquinho e Sandy
& Junior. Desde 2003 ela integra o grupo do violonista e compositor Chico Pinheiro. “Trabalhar com eles foi especial. Chico Pinheiro é uma grande referência pra mim”, disse ela ao EGO.
A cantora assina com Junior Lima a letra de “Estranho Jeito de Amar” e também é a co-responsável pela polêmica “Discutível Perfeição”, em que Sandy entoa os versos “Tô longe de ser a Madre Tereza / Não pise no meu calo / Ou viro bicho e falo o que não quer ouvir”.
Certa vez, Sandy disse que adorou a parceria com Tatiana. “Além de cantar bem, ela é uma excelente escritora”, disse a irmã de Junior à época do lançamento do CD “Sandy & Junior” de 2006.
“Cantar para os outros me moldou para cantar todos os estilos, e também me ajudou a definir o que quero para meu trabalho solo”, contabiliza Tatiana, que está montando repertório para gravar seu primeiro CD em novembro deste ano. “Tenho testado algumas coisas nos shows que faço antes de gravar”, finaliza ela, que foi considerada uma das novas revelações da MPB pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.
Assim como Tatiana Parra, Deborah Reis trabalha atrás de um grande nome do rock nacional. Há sete anos ela faz backing vocal para Rita Lee. “É o máximo porque a banda é boa, a Rita é incrível e as músicas ajudam muito”, pontua Deborah.
A cantora, há 25 anos no meio artístico, começou a carreira cantando jingles e fazendo coro em estúdio. Por opção, ela diz gostar do que faz atualmente. “O melhor de tudo é saber que posso me sustentar trabalhando com música”, diz Deborah Reis, comentando a dificuldade de alguns artistas em sobreviver apenas com o que ganham no meio artístico.
Deborah destaca a sintonia que existe entre a banda, o cantor e os backing vocals. “Durante o show, há sempre uma sintonia. No caso da Rita, por exemplo, em um olhar eu sei o que ela está me pedindo. Algo do tipo: ‘me salva, esqueci a letra’”, diverte-se Deborah, que não só admira a cantora Rita Lee como também a pessoa.
“Às vezes me pego prestando atenção no discurso dela no palco, de como ela age com o público. É muito mais que cantar, é a postura do artista que me motiva”.
Deborah também é atriz – ela foi a Betty Balanço do musical “Cazas de Cazuza” – e por conta disso já fez os mais diversos trabalhos. “Para alguns cantores, a gente senta em um banquinho no canto do palco e fica lá, fazendo nosso papel. Para outros, a veia artística fala mais alto e a gente pula, brinca e até samba”, conta.
Todos os entrevistados têm histórias para anos de conversa. No entanto, para encontrá-los é preciso ser persistente: telefonemas, recados, e-mails... Essas figuras boêmias raramente estão aptas para conversar pela manhã. “Trabalhar como músico não é fácil”, todos são unânimes em dizer. Mas vale o esforço.
Questionados se trocariam de profissão, eles desconversam e preferem falar dos próximos projetos. Ao fundo ou à frente do palco.
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