sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A HISTÓRIA SEXUAL DA MPB- Rodrigo Faour

DE CHIQUINHA A TATI, LIVRO CONTA A HISTÓRIA SEXUAL DA MPB

Alícia Uchôa, do G1, no Rio

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Veja algumas capas de discos polêmicas na História da MPB
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Chiquinha Gonzaga, acredite, tem muito mais em comum com Tati Quebra-Barraco do que se pode imaginar. No livro "História Sexual da MPB", o jornalista Rodrigo Faour compara as duas diretamente e mostra que, se a funkeira causa polêmica hoje ao pedir que a chamem de cachorra ou se declarar amante em suas letras, a compositora do século 19 chocava com versos como “sou gostosa que dá gosto de talhar” ou “ataca sem descansar”.


“O maxixe era considerado uma coisa de última categoria. A reação conservadora é muito semelhante a que se tem hoje com o funk. Se a Tati hoje quebra o barraco, a Chiquinha tinha o ‘Corta Jaca’, na letra de 1905”, explica o autor, citando a música de Chiquinha Gonzaga, que usava a jaca como metáfora do órgão sexual feminino.

“O funk mostra a mulher tomando a frente das coisas. Rompe o mito da mulher submissa na cama e no relacionamento, e brinca com posições sexuais”, diverte-se o autor, que dedica um capítulo inteiro ao ritmo.

De Chico Buarque a Raimundos, o sexo está em todos os ritmos
Mas não é só o funk que tem a sua malícia. Samba, forró, bolero, rock, bossa nova e, claro, as famosas marchinhas de Carnaval também sempre tiveram muito borogodó. De Carmen Miranda a Dicró, do grupo Raimundos a Chico Buarque, ninguém escapou.

“Entrevistei 70 personalidades, psicanalistas, intérpretes, letristas. Compositores, da ala brega e da ala chique”, conta Rodrigo, que ouviu nomes de mundos diferentes como Erasmo Carlos, Fernando Brant, Ângela Rorô, Paula Toller, Wando, Roger do Ultraje a Rigor, Odair José e Vanusa.

Para Faour, as letras de duplo sentido e a sacanagem têm passado. No Brasil colônia, as músicas do mulato Domingos Caudas Barbosa chocoram a corte portuguesa ao levar o erotismo brasileiro para os salões de Portugal.

“Ele já fazia modinha nos salões imperiais com cunho erotizante e chocava os poetas portugueses. A mulher era musa inatingível na prosa romântica, mas ele imaginava. Não foi o funk que inventou isso”, conta Rodrigo, que, além de letras de música, estudou também história das mentalidades, do patriarcado e a influência portuguesa e das religiões na nossa cultura.

Livro traz discografia
Para quem está curioso para ouvir as músicas citadas no livro, Faour dá o caminho das pedras com uma discografia detalhada e dividida em capítulos: O Amor Mal-resolvido, A Mulher na MPB, O Amor Bem-resolvido, Leve e Sensual na MPB,O Erotismo e A Sacanagem na MPB, Assuntos de Sexo por Temas na MPB, As Canções do Universo Gay, As Canções Transgressoras e Canções de Temas Afins.


LIVRO RETRATA MACHISMO E RELACIONAMENTO GAY NA MPB


Alícia Uchôa, do G1, no Rio

Foto: Divulgação

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Mais do que falar de sexo, a Música Popular Brasileira sempre falou muito da relação a dois, na maioria das vezes retratada de forma complicada na MPB. No livro "História Sexual da MPB", o autor Rodrigo Faour mostra que, quando o assunto era o amor gay, a coisa piorava.

“O machismo na música brasileira é muito forte. Até os anos 60, a mulher era sempre a culpada de tudo o que estava errado nos relacionamentos. Os letristas eram sempre homens e as músicas tinham o ponto de vista deles, mesmo quando eram elas que cantavam. Mas isso era o padrão moral da época. Mulher separada era tabu, homossexualidade nem se fala”, aponta Faour, lembrando as letras de homem que batia em mulher e do gay, que, quando citado, era em tom de achincalhe.

“Quando um gay escrevia sobre isso, o fazia com letra cifrada. Até hoje, é difícil uma música de amor cantado de homem para homem ou de mulher para mulher. Alguns compositores, inclusive, reclamam, que, quando fazem músicas mais ousadas, ninguém quer gravar.

No livro, o cantor Cauby Peixoto, que durante muitos anos hesitou em falar abertamente sobre homossexualidade, comprova a tese do autor: “Gravei várias músicas desse tipo. Sempre que havia expressões como ‘caso’, ‘amor proibido’ ou ‘entender’ na letra, é porque no fundo era uma letra gay”.

A pedido do G1, Rodrigo Faour fez uma lista das 10 músicas gays mais representativas na música popular brasileira. Confira aqui.

Fonte: G1 por Alícia Uchôa

Foto divulgação: MPB FM

A imagem “http://www.mpbfm.com.br/fotos/7851_rodrigofaour_in.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Rodrigo Faour é jornalista formado pela PUC/RJ, pesquisador e produtor musical. Trabalhou na imprensa carioca como repórter e crítico de música entre 1996 e 2001 - ano em que lançou seu primeiro livro, Bastidores - Cauby Peixoto: 50 anos da voz e do mito. No ano seguinte, viria o segundo, sobre a Revista do Rádio. Paralelamente, passou a atuar no processo de revitalização do acervo das principais gravadoras brasileiras. Entre os projetos mais expressivos que levaram sua assinatura estão a reedição da obra de Maria Bethânia; a criação da série Pérolas Raras; 55 títulos da série Maxximum; a caixa de 4 CDs O Samba Malandro de Bezerra da Silva; e a série As Divas, de reedições de 15 antigos vinis de cantoras do rádio




Biografia autorizada do cantor, escrita pelo jornalista carioca Rodrigo Faour. Histórias divertidas e inéditas são reveladas - como quando Cauby ensinou "Luar do sertão" para a diva Marlene Dietrich - durante a exposição de todas a trajetória musical do cantor de "Conceição".



Do maxixe ao funk, das músicas sobre fossa e amores mal resolvidos aos temas eróticos dos anos 80, de tabus como a virgindade às canções com temática gay. HISTÓRIA SEXUAL DA MPB, do jornalista Rodrigo Faour, é um livro expressivo, que relata a evolução comportamental do brasileiro nos temas de amor e sexo, no decorrer dos últimos dois séculos. Participe dessa festa da MPB!



O jornalista Rodrigo Faour conta sobre a Revista do Rádio, que começou a circular em 1948 e cobria o meio radiofônico de forma abrangente e pitoresca. Mostrava a carreira e a vida pessoal dos grandes astros - cantores, rádio-atores, locutores, humoristas e vedetes. Foi um marco da imprensa nacional e, deixando em seu rastro inúmeras revistas de fofocas, como "Caras", "Quem" e "Chiques e Famosos".

Fontes: Submarino


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