sábado, 11 de agosto de 2007

Ééééééééé Tânia Mariiiiiiiiiia!


Added: January 04, 2007
From: modernquartet
Provided By:
novosadski jazz festival 2004
snp, novi sad




Tânia Maria
Por: Mariana Sayad / Fotos: Patrícia Patah

Apresentamos Tânia Maria em uma entrevista, que concedeu por telefone quando esteve no Brasil pela última vez para uma temporada no Teatro Fecap, em São Paulo. Para quem ainda não conhece, Tânia Maria é uma das cantoras e pianistas mais respeitadas internacionalmente, que saiu do Brasil na década de 70 e só voltou para fazer o primeiro show depois deste exílio em 2005.
Ela começou sua carreira nas famosas bandas de baile no Rio de Janeiro, depois foi para São Paulo e em 1974 para Paris. Ela já tem mais de 20 álbuns lançados com releituras e muitas composições próprias.

Mariana Sayad

MS - Quais são as suas principais influências musicais?
TM - Do clássico, eu gostava de Chopin, mas eu sabia que não seria uma pianista clássica. Até hoje gosto muito de escutar o clássico, agora tenho mais familiaridade com Debussy e Ravel.
No popular, o primeiro músico que me impressionou no Brasil foi Johnny Alf, sem dúvida. Depois, o Luiz Eça foi e é um dos maiores pianistas que já conheci. Entre os americanos, a primeira imagem de um artista cantando e tocando é a de Nat Cole. Outros pianistas são Bill Evans e Wynton Kelly. O jazz para mim vai até os anos 60 e 70. É o que gosto. Depois disso ficou mais bagunçado, já não me interessa tanto. Gosto de escutar a melodia e depois a improvisação.

MS - Como foi a sua decisão de morar em Paris?
TM - Foi um convite, eu já tocava na noite há quatro, cinco anos sem parar, em São Paulo. Primeiro toquei no Rio e depois vim para São Paulo. Era uma época em que a Santo Antônio era a rua das casas noturnas. Eu tocava ali, na Catedral do Samba. Foi uma grande escola e uma maneira de ter um bom repertório, porque eu tocava de tudo. Eu só não tinha tempo para fazer a minha própria música, era só a música para ser consumida.
Quando se toca em boate à noite, é necessário tocar o que o cliente deseja. Quando eu encontrei uma possibilidade de sair desta vida - este convite para Europa - aceitei de braços abertos. Prometi para mim mesma no avião que iria tocar aquilo que eu queria e se batessem palma, eu não voltaria mais para o Brasil.

MS - Você ficou sem tocar no Brasil por 30 anos, quando veio pela última vez em 2005, por que este hiato?
TM - Porque eu nunca tive um convite oficial. Uma coisa, digamos, palpável. Eu já tinha sido muito convidada para tocar em hotel, mas eu não queria isso. Na época dos festivais, tive vários convites. Uma menina de um festival no Rio de Janeiro, eu nunca me esqueço disso, me convidou para tocar e falou para o meu manager: “Será uma grande oportunidade para a Tânia, só que o cachê será o mesmo dos brasileiros, porque ela é brasileira e nós não podemos dar o cachê dos estrangeiros”. Então, meu manager perguntou quanto era e quando ela falou, ele respondeu: “A Tânia por esse tanto, só atravessa a rua e toca no Blue Note”. Entendeu? Isso virou até piada.
Quando eu era convidada para tocar aqui, tinha que ganhar o mesmo cachê dos brasileiros que moravam no Brasil, porque eu não era internacional. Era muita confusão para uma pessoa que tentava fazer a vida fora com certo respeito, aceitação e via da própria “família” certo menosprezo. Eu sentia esta conotação. Nisso se passaram 30 anos, até que recebi um convite oficial do Sesc, que dá para confiar. E depois do teatro Fecap, que também é sério, com uma acústica formidável, um pessoal legal, que dá vontade de sentar e tocar. Quando eu toco em algum lugar, preciso estar à vontade, feliz, pronta para dar e receber.

MS - Qual é a concepção de seu novo CD?
TM - Intimidade? Normalmente, quando se fala em intimidade as pessoas pensam no sexo, para mim, intimidade é um sentimento necessário para ter uma conversa e uma amizade. Eu não sei ser amiga de ninguém se não tiver intimidade, eu posso ser colega, mas para ser amiga de alguém tem que existir certa intimidade. Isso não é uma coisa que envolva toque, basta olhar, gostar. Essa intimidade nasce espontaneamente.
As músicas que eu coloquei neste disco são as quais tive certa intimidade, porque tem músicas mais antigas, algumas com mais de 50 anos. O CD Intimidade nasceu deste tempo, até chegar na “Intimidade”, uma música que compus porque quando a gente tem intimidade com as pessoas podemos ver através de seus olhos as coisas que elas têm por dentro. Mais ou menos isso. A intimidade é um sentimento bem feminino, eu acho como a música, para mim também é feminina, a intimidade representa isso aí.

MS - Quais são seus planos de novas turnês ou CD?

TM - Tenho um trio com o Eddie Gómez e Steve Gadd, um dos maiores bateristas do mundo. Nós iremos fazer uma turnê bonita em outubro e novembro. Durante esta turnê, vamos gravar um disco.

Fonte:SL Revista Eletrônica - Todos os direitos reservados - www.slrevistaeletronica.com.br

Nenhum comentário: